Entre câmeras, tripés e luzes, Alex de Andrade circula pelos corredores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) com a familiaridade de quem conhece cada canto. Técnico de vídeo da instituição, ele acompanha produções, orienta estudantes e ajuda a transformar ideias em imagens. O que muita gente não imagina é que, antes de ocupar esse lugar, Alex precisou fazer uma escolha que mudou completamente o rumo da sua vida.
Natural do Rio de Janeiro e criado em Taquara, na Serra, Alex levava uma rotina considerada estável. Trabalhava em uma concessionária de veículos, tinha um emprego fixo e seguia uma trajetória que, aos olhos de muitos, parecia segura. Ainda assim, algo não encaixava. Sem referências próximas que o inspirassem a buscar novos caminhos, tornou-se o primeiro de sua família e de sua comunidade a desejar ingressar na universidade.
Uma simples carona foi decisiva nessa virada. Ao acompanhar uma amiga até a inscrição em um cursinho pré-vestibular, Alex recebeu um convite inesperado de um professor. A partir desse incômodo, e também desse estímulo, surgiu a decisão de largar tudo e recomeçar.
O retorno aos estudos veio acompanhado de medo e expectativa. Alex ingressou no curso de Publicidade e Propaganda da Ufes, deixando para trás a segurança do emprego para apostar em um sonho ainda em construção. Inicialmente, seu objetivo era superar a timidez e desenvolver a desenvoltura própria dos comunicadores. Como aluno, viveu as descobertas proporcionadas pela universidade pública: o contato com o audiovisual, as trocas com os colegas e um aprendizado que ia além da técnica, alcançando também a formação humana.
Ao longo desse processo, a Ufes se tornou mais do que um espaço de ensino. Tornou-se um lugar de transformação. Entre salas de aula, projetos e experimentações, Alex encontrou possibilidades que antes pareciam distantes. A universidade ajudou a lapidar seu olhar, ampliar horizontes e fortalecer a certeza de que a escolha, apesar dos riscos, havia valido a pena.
Anos depois, a trajetória dá uma volta simbólica. Alex retorna à Ufes não mais como estudante, mas como técnico de vídeo da mesma instituição que o formou. Agora, atua nos bastidores, colaborando para que outras histórias ganhem forma e apoiando estudantes que, assim como ele um dia, estão começando a trilhar seus próprios caminhos. O lugar que antes representava descoberta é, hoje, também espaço de responsabilidade, pertencimento e orgulho.
Durante a entrevista, Alex compartilha não apenas sua história, mas também seus desejos para o futuro da universidade: que suas portas se abram cada vez mais e alcancem a sociedade de forma ampla. Fala sobre sonhos, sobre a importância da educação pública e sobre o impacto que a Ufes teve e ainda tem em sua vida. Entre reflexões e memórias, constrói um discurso marcado por gratidão, compromisso e esperança.
Em um dos momentos mais marcantes, Alex deixa um recado para si mesmo no passado. Para aquele jovem de Taquara, que trabalhava em uma concessionária e sentia a necessidade de mudar: “Se eu pudesse dizer algo para meu eu do passado, seria obrigado. Obrigado por ter ido contra os caminhos que eram esperados para você e buscar ser mais”. Ele reforça que o caminho escolhido, mesmo incerto, foi o certo. Que arriscar também é uma forma de acreditar em si. Que os trajetos não são lineares, mas podem levar exatamente aonde se precisa chegar.
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