“Eu tive que escolher. Ou eu continuava como engenheiro, ou ia virar um instrutor de vela”. Em um mundo onde a estabilidade de um diploma tradicional costuma ditar os rumos profissionais, a aposta de Rômulo Finamore Neto foi nadar contra a maré. Aos 58 anos, o capixaba conta com orgulho o ponto de decisão que o fez abandonar a carreira formal para ganhar a vida nas águas da Praia da Guarderia, em Vitória.
Conhecido como Rominho, sua história com a praia começa ainda em sua adolescência, quando começou a praticar windsurf por hobby. “Quando eu comecei a velejar, eu ainda não tinha tamanho para usar os equipamentos da época. Com 15 anos, eu era muito magrinho, muito levinho e não tinha muita condicionamento físico para sustentar aquilo em uma competição. Quando eu passei a ter um desempenho melhor, eu comecei a competir. Isso há muitos anos atrás”, relata Rômulo.
O windsurf, ou prancha à vela, é uma modalidade olímpica aquática praticada em mar aberto, unindo a adrenalina do surfe com a técnica náutica da vela. A prática consiste em deslizar sobre a água em uma prancha equipada com uma vela articulada, movida pela força do vento.
O espírito competitivo do instrutor o levou a acumular títulos na categoria. “Eu já fui campeão brasileiro em 2008, já fui campeão sul-americano na categoria Master, e fui 12 vezes campeão estadual. Eu acho esse ambiente de competição muito legal. Eu viajo, conheço um monte de lugares e pessoas”.
Há 43 anos no windsurf, Rominho defende que, quando se trata de praticar e competir em um esporte, a idade é só um número. “Todas as competições têm a colocação geral e por faixa etária. Hoje, eu sou Grand Master, que é a categoria acima de 45 anos. É assim que a gente deixa a ideia de que há idade para competir. Basta querer”, completou o atleta.
Escritório na praia
Graduado em Engenharia Civil, Rominho começou a ensinar a modalidade ainda na época da faculdade, em 1991. “Eu estava na graduação, e com mais dois amigos, montei um grupo para fazer um curso de windsurf com 10 aulas de duração. Foram 5 finais de semana no Rio Grande do Sul. Na época, a popularidade do esporte começou a aumentar e já havia pequenos grupos que praticavam”, relata o velejador.
“Aí a gente pensou: ‘vamos juntar um time de alunos para ensiná-los a velejar’. E com isso, o tempo foi passando, eu me formei e já estava dando aula de windsurf praticamente todos os finais de semana do ano”. Rominho conta que desde a segunda metade da graduação começou a perceber que não queria seguir a profissão. Mas foi apenas depois de formado que o instrutor se viu na necessidade de escolher qual caminho seguir.
“Eu vi que eu não queria a carreira na engenharia. Pensei em fazer alguma coisa que me desse prazer. E não apenas, retorno financeiro. Queria trabalhar com alguma coisa que eu gostasse”. Foi com esse pensamento que o windsurfista decidiu abandonar o escritório de engenharia civil e montar seu próprio “escritório na praia”.
Pioneirismo em Vitória
Rômulo fundou a escola Loop Wind SUP em 1991, localizada na Praia da Guarderia, em Vitória. “Quando comecei a dar as aulas, a coisa engrenou. Eu pensei: ‘isso não pode ser uma coisa meia-boca, tem que ser uma coisa profissional. Eu procurei os melhores equipamentos, fui atrás dos métodos de ensino mais utilizados aí mundo afora. Criei um negócio de primeira”, conta o windsurfista, “sem nenhuma modéstia”.
Com o tempo, a escola de windsurf passou a incorporar outras modalidades, pensando na demanda dos banhistas, principalmente na temporada de verão, quando esse tipo de esporte tem maior procura. Aulas de stand-up, bicicleta aquática e jet surf passaram a fazer parte dos serviços oferecidos pela Loop.
“Em 2008, o stand-up veio com força para o Espírito Santo, virou moda e a gente foi a primeira escola de Vitória a ensinar essa modalidade. Em 2014 o windsurf voltou a ficar muito popular. Assim como qualquer outra atividade que vai surgindo, há épocas que ele explode e volta com tudo”.
Seguindo o fluxo do rio
O segredo do empreendedor é acompanhar as tendências e manter o negócio na crista da onda. Para isso, conta com sua irmã, Claudia Finamore, principal ajuda para tocar o barco da família. “Quando a gente resolveu oferecer o stand-up na escola, eu convidei a minha irmã, que na época trabalhava numa empresa de comunicação visual, e a gente virou sócio. Quando há mais movimento, temos uma equipe de até quatro pessoas. Na época de baixa temporada só eu e ela damos conta”
Rômulo explica que para aprender o windsurf é preciso tempo e esforço para encontrar o ponto de equilíbrio entre a vela e a prancha. “Não dá para colocar um monte de gente junto e ter uma aula de qualidade. São grupos de no máximo três alunos a cada horário. Num dia com a capacidade cheia, eu atendo de 9 a 10 alunos.
Para Rominho, ensinar o esporte é parte essencial da sua vida. A intenção é que a escola de surf cresça cada vez mais, trazendo novos alunos para ensinar a modalidade praticada entre o céu e o mar. “Vamos fazer uma agenda que atenda o máximo de pessoas no segmento, com a maior qualidade possível”.
Veja a entrevista completa!





