Ainda que seja uma artista acostumada com palcos e apresentações, Linda Bergmark costuma falar só quando falam com ela. O comportamento tímido, porém, foi algo observado no Brasil, e ainda que a mesma se defina como alguém muito internacional e adaptável, a falta de expressões próprias de seu modo de expressar natural, geram visível confusão.
Explicando melhor, Linda mora na França, namora um brasileiro e se comunicou comigo em inglês, mas nasceu na Suécia, em Uppsala. Cantora, de 52 anos, comentou sentada em uma cadeira de madeira sobre como começou a saber algo de português através da música, e destacou a maneira como sente que soa melhor cantando em sueco por ter relação direta e íntima com as palavras. Ela ainda reforçou que não é sobre a facilidade de proferir as palavras, mas de senti-las. Linda canta Veja (Margarida), de Geraldo Azevedo, com beleza indescritível para quem escuta, mas talvez essa beleza não seja visível para ela.
Mais à frente, mas ainda no tema, Linda explorou a maneira como está criando laços com as palavras em português e se desculpou por responder de maneira “muito gringa” à minha pergunta a respeito de sua palavra preferida em nossa língua, dizendo “saudade”, sem pestanejar.

De longe pode parecer que é apenas por ser uma palavra que é exclusiva do português, mas analisando mais profundamente, percebe-se que a palavra “saudade”, é algo encontrado aqui, que remete ao que, para ela, vem de lá, e talvez a única palavra daqui que possa fazer isso.
Ela fala da palavra “saudade” com o mesmo olhar e tom com o qual fala da floresta. O entusiasmo que ela tem para falar das florestas de seu país, e ainda mais o linguajar para abordar o assunto, são admiráveis. Ela não diz que haviam muitas florestas em Uppsala, ela diz que é da floresta, quase como quem reclama seu lugar no mundo mesmo longe de casa. Falar da floresta para Linda é um retorno à casa, e falar “saudade”, tem feito a mesma função.
Nesse processo de internacionalização pessoal, encontrar esse pedaço de quem ela é, mesmo que numa palavra corriqueira do dia a dia brasileiro, parece, segundo a mesma, ser a chave para que ela consiga finalmente cantar sentimentos em português, e não apenas “proferir sons”, como a mesma afirma que ainda faz.
Quando está cantando, seja na língua que for e muito distante daquela pessoa tímida em rodas de conversas, Linda Bergmark diz e sente muito mais, e cada vez mais em português.
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