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Acaso, faro ou destino: 39 anos de carreira de Luciane Ventura

Da intuição ao auge, a história por trás da carreira que marcou o jornalismo capixaba

Uma vez jornalista, sempre jornalista

Vinte e um de abril de 2025. Morre, aos 88 anos, o Papa Francisco. Enquanto a notícia se espalhava pelos portais internacionais, Luciane Ventura estava em trânsito, literalmente. De férias com a família, ao lado do marido Mauro, do filho Tiago e da caçula Isadora, ela seguia de avião rumo a Roma. O que era para ser descanso se transformou em história. Lá estava ela, em Roma, no dia em que o Papa morreu.

Ao pousar na capital italiana, Luciane não era apenas uma turista diante de um acontecimento histórico: era jornalista.

“Foi o ápice da minha carreira. Imagina isso para um jornalista: eu estava lá, em Roma, no dia em que o Papa morreu. Não tinha como dizer: estou de férias. Não é assim que funciona”, afirma.

De Bom Dia ES à imprensa internacional, a comunicadora de olhar atento, apaixonada por contar histórias, compartilhava com o mundo inteiro sua experiência em Roma.

“Foi um momento histórico, uma oportunidade única. Não só de poder relatar o que estava acontecendo, mas estar lá, relatando para os veículos locais, ver como a imprensa mundial atua, como aquele cenário se transformou. De repente, emissoras do mundo todo. Isso, para mim, foi o ápice da minha carreira, porque mesmo quando eu estava efetivamente como jornalista, eu não tinha tido a oportunidade de vivenciar uma situação tão especial quanto aquela. Foi um aprendizado inesperado e, talvez, o momento mais marcante na minha carreira”, relata.

Coincidência, acaso, destino, chame do que quiser: A intuição esteve presente na trajetória de Luciane antes mesmo de ela decidir ser jornalista.

O jornalismo não estava inicialmente em seus planos. Aos 17 anos, a jovem extremamente comunicativa e leitora assídua saiu de casa decidida a se inscrever no vestibular de Direito. Caçula e única filha mulher, atendia também a um desejo dos pais, Dona Marlene e Seu Zé, que sonhavam com a carreira de advogada para a filha.

“A minha decisão de ser jornalista foi meio que intuitiva. Eu pensava em ser advogada, talvez porque eu sempre me via falando para as pessoas. No caminho para me inscrever no vestibular, pensei: vou fazer jornalismo”, conta.

A escolha feita quase que por impulso se transformou em trajetória. Trinta e nove anos de carreira depois, Luciane olha para o próprio caminho com a segurança de quem reconhece que fez a escolha certa. Empresária e comunicadora, ela está longe de se arrepender da decisão tomada. “É a profissão que me realiza, é a profissão que me motiva, que me sustenta e que me fez chegar onde eu cheguei”, afirma.

29 anos de Rede Gazeta

Durante grande parte de sua carreira, 29 anos, Luciane construiu sua trajetória na Rede Gazeta. Antes disso, no entanto, foi estagiária, como tantos outros, e viveu a expectativa de ser efetivada. Após nove meses, precisou deixar a empresa por ainda não estar formada, o que inviabilizava sua contratação naquele momento.

“Eu me lembro desse dia exatamente. Me disseram que eu era muito dedicada, mas que a minha condição não estava de acordo com a legislação. Eu voltei para casa chorando. Um ano depois, já perto de me formar, surgiu uma vaga no Caderno B de Cultura, e me chamaram”, conta.

Difícil de caber em um parágrafo, a carreira de Luciane na Rede Gazeta é daquelas que atravessam gerações, formatos e redações. Do Caderno B (Cultura) à Economia, ela construiu uma carreira que passou pela coordenação da CBN, onde permaneceu por 18 anos, liderou processos de fusão de redações, integrou rádio, jornal, portal e televisão em um ambiente multimídia, coordenou o curso de residência em jornalismo e, fora da redação, encerrou sua trajetória no grupo como gerente de relações institucionais, cargo que ocupou até 2017.

“É uma história muito bacana, da qual eu tenho muito orgulho de contar. Eu pude exercer todas as funções de comunicação que eu almejei na vida”, reforça.

Fusão da CBN

ACERVO PESSOAL – LUCIANE VENTURA, 1996.

“No dia 30 de abril de 1996, a gente botou a CBN no ar, eu já era chefe de reportagem das rádios da Gazeta. A Gazeta tinha duas rádios, fez uma parceria com o empresário local, Paulo Garro, e de duas rádios viraram seis rádios, entre elas, a rádio CBN, que começou como a rádio AM, na frequência 1250AM, tocando notícias, e depois virou a FM, que está até hoje no ar, na 93.5 FM”, relata.

L4 Comunicações

“Quando eu saí da Gazeta, pensei: vou montar meu negócio, mas quem vai me contratar?”, relembra.

A dúvida marcou o início de uma nova fase. Acostumada a ser referência dentro de grandes redações, Luciane passou a se ver sob outra perspectiva: Luciane, empresa. O que antes era identidade profissional agora precisava se transformar em marca.

No dia 6 de março de 2026, a L4 Comunicação completa oito anos. Criada em 2018, a agência carrega no nome a assinatura da fundadora, o L de Luciane e quatro frentes de atuação: marketing de conteúdo, gestão de imagem, assessoria de imprensa e comunicação com propósito.

O receio inicial deu lugar à consolidação. Hoje, a L4 atende empresas de diferentes segmentos e mantém contratos contínuos, entre eles o Shopping Vitória, a Rede Wellness, a Escola Americana de Vitória, o Vitória Parque Hospital e a Casa do Serralheiro, além de atuar na interface direta com a mídia para marcas e instituições.

A estrutura também cresceu. Atualmente, dez colaboradores fazem parte da equipe, todos eles acompanhando de perto a filosofia que orienta a agência desde o início: comunicar com estratégia, ética e propósito.

O que começou como incerteza virou sustentação. O voo que parecia arriscado completa oito anos: firme, constante e em expansão.

No auge

Aos 60 anos, Luciane fala de carreira e de vida sem separar uma coisa da outra. Entre saúde, família construída e trabalho em movimento, ela se reconhece em um lugar de potência: não de chegada, mas de continuidade.

“Estou no ápice da minha produção e da minha carreira profissional. Além de comemorar a vida, estar bem, com saúde e com a família construída, eu ainda estou produzindo. Isso me orgulha muito”, afirma.

Mais do que retrospectiva, o discurso é de afirmação. Para Luciane, o motor da trajetória sempre foi a confiança em si mesma.

“A pessoa que mais tem que ter fé é você em si mesmo. Se você acredita no seu potencial, tem que ser o primeiro a bater palma pra você. Não deixe que ninguém diga que você não é capaz”, reforça.

O futuro, para ela, não é desaceleração, é expectativa.

“Eu só agradeço. Tenho certeza de que aos 70 anos talvez eu esteja melhor do que hoje, aos 60. Pelo menos trabalhando, produzindo, malhando, estou plena para isso”, afirma.

E, como ao longo de toda a carreira, segue fazendo o que sempre soube: seguir em movimento.

Veja a entrevista completa!

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