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Quantos anos cabem dentro de uma secretaria? Conheça Robinho, secretário dos cursos de Comunicação da Ufes há 15 anos

Em fevereiro de 2026, Robinho comemora seus quinze anos como secretário dos cursos de Comunicação Social da Ufes

Quem passa pela secretaria dos cursos de Comunicação da Ufes provavelmente já encontrou Robinho antes mesmo de saber seu nome. Entre salas, documentos, equipamentos e reuniões, ele é uma presença constante no cotidiano do departamento. Há quinze anos, ocupa oficialmente o cargo de secretário. Na prática, acompanha de perto as transformações de gerações inteiras de estudantes.

A relação com o lugar, porém, começou muito antes do concurso público. Robinho também foi aluno de Comunicação Social na universidade, período em que se envolveu com o movimento estudantil. Fez parte do Balão Mágico, coletivo formado por estudantes de diferentes cursos que ocupavam o campus com debates, performances e intervenções. As reuniões nasciam de conversas longas, trocas de ideias e questionamentos sobre a própria universidade. Muitas das discussões ajudaram a impulsionar a busca por mais espaços de prática dentro da Comunicação, especialmente nas áreas de audiovisual, fotografia e rádio universitária.

A trajetória acadêmica foi interrompida quando Robinho descobriu que seria pai e precisou deixar a universidade para garantir sustento à filha que estava chegando. “Eu tinha uma criança pra sustentar. Pagar escola, comida, trazer dignidade pra minha filha.”

Anos depois, com a filha criada, o caminho de volta apareceu por outra porta. Ele foi aprovado em concurso público e escolheu retornar justamente ao lugar com o qual já tinha uma ligação profunda. Desde então, nunca mais saiu. “Nunca pensei em sair. Isso aqui é minha casa.” E acompanhar gerações de estudantes é o que dá sentido à rotina. “Ver os alunos chegarem de um jeito e saírem quatro anos depois transformados dá uma energia enorme.”

Por trás da mesa da secretaria existe um trabalho silencioso que sustenta o cotidiano do departamento. “Gerenciamos espaço físico, manutenção, documentos, processos, atendimento a alunos e professores… organizamos reuniões, materiais e equipamentos.” É o tipo de engrenagem que mantém tudo funcionando sem aparecer nos holofotes.

Quando o expediente do secretário termina, o campus muda de papel: “A Ufes é também meu palco de fotografia, foi ela que me salvou durante a pandemia. Sou um sonhador que busca imagens que transmitem sentimento e paz.”

Fora da universidade, outras camadas aparecem e revelam um Robinho menos institucional e mais intuitivo. Ele se descreve como umbandista, alguém que enxerga espiritualidade como prática cotidiana e forma de conexão com o mundo. Os colares e anéis que usa não são apenas acessórios, mas símbolos de proteção e pertencimento, pequenas narrativas que carregam significado no corpo. Em casa, a arte ocupa a mesa, o tempo livre e a parceria com a esposa. Juntos, produzem esculturas, anéis e colares, num processo que mistura criação manual, experimentação e afeto.

A trilha sonora dessa rotina vem do rock dos anos 60 e 70, que atravessa o ambiente doméstico enquanto as peças ganham forma. É um universo onde música, espiritualidade e artesanato se encontram sem hierarquia, como se tudo fizesse parte de uma mesma linguagem. A criação não aparece como hobby ocasional, mas como continuidade de um olhar curioso que se recusa a encerrar quando o expediente termina.

Esse lado artístico dialoga diretamente com a fotografia que ele produz pelo campus e fora dele. O gesto é o mesmo: observar, buscar beleza em detalhes, transformar o cotidiano em algo sensível. Se durante o dia ele organiza processos e documentos, à noite e nos fins de semana organiza imagens, símbolos e objetos. No fim, parece existir uma linha invisível que conecta o secretário e o artista: a vontade constante de descobrir algo novo todos os dias.

No fim das contas, talvez os quinze anos não caibam apenas na secretaria. Eles cabem em tudo o que ele construiu dentro e fora dela.

Veja a entrevista completa!

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